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Azul

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Chá da madrugada - Daene Pino Regiane Santos C. de Paiva Professora Não o escolhera à toa. Há dias abria o armário e espiava o brilho daquele azul. Nem lembrava quando o havia comprado, mas sabia que deveria exibi-lo. Para ele. Deixaria os cabelos presos para que as costas ficassem à amostra. Melhor deixá-las em evidência. Como já fazia mais de um mês que não se viam, decidiu brindar o reencontro com ceda e vinho... Naquela manhã, recebera a mensagem que ele chegaria ao cair da noite. E quando ele vinha, ela sabia que poderia germinar e sorrir como quando criança, antes de sentir o colo amargo do pai. Vê-lo, representava colher uma aurora que perdera quando deixara a cidadezinha dos sem fim. Afinal, ele fazia parte dos sonhos construídos sobre os pirulitos arco-íris... Maldizia a perda dos dois, mas sabia que reencontrá-lo, de quando em quando, era fazer um recorte na tela negra que ela alinhavava todas as manhãs. E foi numa de suas noites fugidias que ele a encontrou rodopiando ...