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Mostrando postagens de Agosto, 2011

[COMUNICADO]

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Há seis meses você acessa esse endereço virtual para ler a produção de um dos seis A&U. Mas hoje o que encontrou foi esse comunicado. Explico: quando criei esse projeto e convidei Regiane, Arlete, Klas, Rokatia e Davi, acordei com eles que nos descobriríamos a nossa literatura num projeto em pelo menos três fases. A primeira acabou. Foram seis meses de ideias construídas pelas letras que resultou num número de acesso muito além do que esperávamos. Por isso, agradecemos a você que nos leu durante todo esse tempo e que agora lamenta nossa ausência.
Poderia dizer que estamos de férias, mas não posso, porque não estamos. Nosso momento é de reflexão sobre o que produzimos e se queremos continuar escrevendo o que estamos vendo pela nossa janela. Daqui a um ou uns meses decidiremos se voltamos, como voltamos ou quem voltamos. Enquanto isso, não pare de ler. No blog tem mais de 200 textos diferentes para relembrarmos ou lermos como outro olhar. Com elas, o mesmo número de artes plásticas d…

Memórias gramaticais

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O dia nasceu em substantivo próprio. Antes do meio-dia, fez-se comum. Substantivamente e sintaticamente comum. Retirei-me, então, para o adjetivo do meu quintal; e flagrei-me a plantar rimas na cova dos advérbios: de tempo, modo, causa e lugar. Quando o sol quebrou no verbo da serra, mexi nos meus predicados e, suprema conjunção, propalei, aos quatro ventos, as tralhas poéticas, aposto e sintagmas, das memórias gramaticais.
[CONVIDADO] Clauder Arcanjo é poeta e escritor, autor de Licânia, Lápis nas Veias e Novenário de Espinhos.

Como é chato ser gostosa!

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“Maria Lucia era uma menina linda e o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu...” Até mesmo o personagem durão da música da Legião Urbana se rendeu aos encantos de uma bela mulher. E se repararmos bem na letra dessa música, parece que a beleza era tudo que a tal Maria Lucia tinha. E precisa de mais alguma coisa? Para muita gente a beleza excessiva ou a busca por ela torna-se um objetivo ou uma missão de vida! Particularmente, já vi muita gente bonita, assim como já vi muita gente feia; Já vi algumas pessoas lindas, vi algumas muitas pessoas horríveis... Faz parte do nosso dia a dia. Mas há alguns dias conheci uma garota que é unanimidade entre os mortais. Eu mesma admito ter ficado bestificada com sua beleza. Não fui a única. A menina é realmente um encanto. Desde que a conheci percebi que todos os homens ficam loucos quando a vêm, até os gays, até os gays mais passivos já vieram me dizer que por ela “trairiam a causa” uma vez ou outra. E até algumas mulheres mais “fora de suspeit…

Cheiro, você

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Seu sangue tinto é vinho, ferroso cheiro da lâmina Engoli cem sílabas do seu hálito sem mastigar o perfume de uma vogal Cheirei sua respiração enquanto dormia, deliro a cada resfolegar Oleosos olhos castanhos, cabelos de cachos inebriantes O vento que beija seus caracóis entorpece e engana meus sentidos Seus pelos mais novos ainda têm o cheiro da sua derme Você é a última virgem, a essência, eu, um assassino Vou mais longe e tento cheirar suas entranhas para descobrir a fórmula do amor.
[CONVIDADO] Aníbal Mascarenhas-Filho

Vá com Deus! [sujeira]

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Davi Moura Publicitário
Quando estou no banho é que tenho as idéias mais geniais. Ou, no mínimo, boas conversas com meu eu lírico. Depois de uma sessão tranqüila de número dois vendo o Jack Torrance correr feito um louco atrás do Danny com um taco de croqué, fui ao meu banho merecido de início do dia, pra espantar a preguiça, mas sem a banheira, sem os sais, sem a toalha felpuda e sem a água quente. Uma chuveirada normal de uma pessoa normal. Enquanto enchia a mão de Head and Shoulders, pensei se o Cristiano Ronaldo realmente usava o Clear 365 dias ao ano. Pensei na Sandy também, a Devassa do ano. Bebe hoje? Acho que a Malu Mader realmente usa shampoo anti-caspa. Ela tem um cabelão e tudo... será que em suas preliminares das noites de amor, ela e o Tony Belloto fazem sessões românticas na banheira na qual ele lava carinhosamente as longas madeixas da esposa? Hm... Sabonete esfoliante. Essa foi novidade, de fato. Peguei na prateleira o meu amigo de sempre e nem vi que o mesmo estava em uma…

O amor do fundo do poço

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Rokatia Kleania Professora
Estavam no fundo do poço. Como lá chegaram não sabiam ao certo. Ou, talvez, conhecessem tão bem o motivo que preferissem torná-lo um sujeito oculto, como forma de não reviverem todas aquelas velhas dores que aspirina nenhuma é capaz de curar. Porém as cicatrizes deixadas pelas desinências do verbo amar logo denunciariam os sinuosos caminhos que os levaram até aquela funda, escura e assustadora cratera emocional.
Em meio àquela total escuridão, compreendiam que só havia uma coisa a fazer: abrir os olhos e encarar a sombria realidade que os rodeavam.
Ao se desvencilharem das pálpebras inchadas de tantas noites choradas, suas retinas provaram da negra miopia da solidão. Só algum tempo depois, quando a vista já se acostumara com toda aquela negritude, eles puderam enfim se perceber frente a frente.
De início, eram apenas acinzentados vultos humanos. Mas, aos poucos, puderam contemplar o brilho que, mesmo afogado em tanto pranto, ainda morava no olhar do outro. E e…

A Negra Paz, dele

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Eliana Klas Secretaria
Ele só quer a paz, que perdeu lá atrás...Lembra-se bem dela, do gosto, do jeito, do seu leve andar.Sabe que a paz tinha jeito de menina, olhar de mulher.A paz era tão feliz, saltitante!A paz era esvoaçante!Ah, quantas saudades, ele tem dela!A paz, de quem sente falta, se foi, deixou só um bilhetinho, contando os motivos.Motivos que prefere esquecer.Merece mais, lembrar-se dela, do que dos motivos, que a fez partir.Ah, amigos, ele sente dores, pela falta que ela lhe faz!!!Portanto, não lhe perguntem, do que ela partiu!Mas, ouçam atentos, tudo que falo sobre ela.
A paz era quieta.Sobretudo, e antes de tudo, quieta.Entendam-me: o silêncio da paz, não era um silêncio qualquer!Não! O silêncio da paz era cheio de sons.O silêncio da paz tinha acordes variados.Lembro-me, do som dela, que era o som dos violões, os sons do vento, o som do mar.A paz tinha, em seu silêncio, as vozes dos amigos e das crianças.O silêncio da paz tinha riso e tinha muitos gritos, às vezes, da meni…

A vida em duas rodas

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Gerchmam- Green bikArlete MendesProfessoraSim.Hoje transcendi. Andei de bicicleta. Para ser mais precisa, uma volta inteirinha no parque. Em tentativas anteriores havia desistido no segundo quarteirão. Bicicleta prum lado, menina pro outro. Mas hoje não. Hoje vim, vi e venci.Engraçado. Muito engraçado aprender coisas da infância beirando a velhice.Pedia desculpas aos que acidentalmente entrecruzaram meu caminho. Isto me desequilibrava: “É minha primeira vez”, “Desculpe, não tenho experiência nisto!”, “É que nunca aprendi quando criança...” Como se isto diminuísse o impacto das trombadas.Era uma sem noção.Consegui a façanha de cair sem estar na bicicleta, me apavorei num cruzamento, não soube administrar passos, bicicleta e travessia. Deixei-a cair e não contente, caí por cima dela. Pedi desculpas à motorista com um gesto de mão e cabeça. Depois pedi desculpas à bicicleta. Ergui a coitada com a dificuldade do susto. Era mesmo uma sem noção. Sem noção de espaço, sem noção de tempo.Atrap…

Papéis de cor

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Regiane Santos C. de Paiva Professora
Acharam até que nem vingaria de tão magra que era a pobrezinha. Parecia ter bem menos idade do que aparentava ter. Fragilzinha, corpo fino, mãos pequenas, morena clara com longos cabelos castanhos, caídos e leves. Aos 13, apaixonou-se pela primeira vez. O rapazinho da mesma idade morava a um quarteirão de sua casa. Todas as tardes, espreitava pela janela da sala para ver quando ele passasse para o futebol. Não era bonito nem nada. Tinha a cara branca e coberta de espinhas. Ainda assim, lhe encantava a alvura de seu rosto. Numa noite, ele a beijou quando estavam na calçada de uma amiga dela. Beijo melado, alvoroçado, desastroso. Antes que seu pai aparecesse gritando que já passava das 8 da noite, ela o empurrou e correu depressa para casa. Escondeu-se e cuspiu. Cuspiu repetidas vezes. Passou a noite enjoando o gosto dele. Sentiu nojo, raiva, arrependimento. Pensava que aquele momento deveria ser inesquecível, mas por sorte, não foi. Esqueceu logo do g…