24/04/2011

Deus me proteja de mim e da bondade da fofoca alheia


... Eu não sou fofoqueiro.
Não é que eu queira aqui dá uma de santo ou debulhar conceitos austeros, nada disso. Eu não sou fofoqueiro por pura irresponsabilidade e medo. Sim, medo. Na verdade, nem sei por que sou jornalista, já que prefiro não me meter em assuntos alheios.
Meu trauma, lógico, é culpa das mulheres. Não dá para competir. A mulher, sim, sabe fofocar. Antes que as mais exaltadas se exaltem, explico que não falo no geral. Há mulheres que, assim como eu, não gostam de fabricar fofocas e há homens que não vivem suas vidas de tanto olhar a vida do outros.
Pois bem, como ia dizendo: é trauma. Algumas vezes, me meti a falador, mas toda vez entro em enrascada. Talvez, seja o meu ciclo de amizades que não sabe se comportar diante de uma cabeluda, ou pura incompetência de minha parte. O problema é que sempre sou descoberto: você disse ou não disse? Reou-se!
Mas não há nada pior do que fofocar com uma mulher. Elas são terríveis quando especialistas neste gênero. Terríveis e corajosas! Elas não sabem esperar até chegar a um terreno seguro. Simplesmente, começam a falar e, muitas vezes, nem baixam a voz. Mesmo quando a pessoa defenestrada se aproxima, elas não param de falar. Baixam a cabeça até o nosso ouvido e não se incomodam em saber que a outra percebeu tudo. Isso me dá uma agonia...
Dia desses, fiz um comentário, à toa, com uma amiga sobre outra amiga. Achei a segunda um pouco acima de seu peso e arrisquei uma curiosidade:
Fulaninha parece diferente, está mais gorda?
Mais gorda, ela está é grávida! Você não soube?
Esse “você não soube?” é o preâmbulo para um dossiê que vai durar horas. Não basta dizer que a outra está grávida é preciso falar de toda a situação e não apenas do noivo ou do casamento às pressas, nem mesmo que morarão na casa da mãe dele. Precisam falar também da mãe dele, do pai dele e dos irmãos dele e não podem esquecer como fez a família dela para esconder o que todo mundo já sabia. Ufa! O pior é ouvir tudo isso bem próximo da acusada. Não dá para não suar. Sim, porque cúmplice também vai para a cadeia.
É por essas que quando quero comentar alguma coisa com uma mulher, seja ela quem for, nunca faço perto da pessoa falada. Eu anoto na memória e peço a Deus para esquecer.
Ainda bem que não tenho espaço aqui para contar mais experiências, caso contrário, iria desdizer tudo o que disse a meu respeito. Até porque, todo bom brasileiro não só gosta, como acaba precisando de um bom mexerico. Mas é preciso tomar cuidado. Fofocar é como assistir ao Big Brother ou experimentar o twitter: vicia.

Cronista

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Deus me proteja de mim e da bondade da fofoca alheia de José de Paiva Rebouças é licenciado sob umaLicença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 UnportedBased on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.com. Permissions beyond the scope of this license may be available at www.blogdojottapaiva.blogspot.com.




7 comentários:

  1. Seu texto descreve com maestria o percurso que nós, mulheres, traçamos ao saber de uma das novas... Além disso, soube captar a competência que temos pelos 'por menores'. Daí porque nada se perde diante dos nossos olhos... No entanto, gostaria só de retificar. As mulheres, falo por mim, comentam determinados assuntos, já que a fofoca implica em deboche, coisa típica do universo masculino. Para constatar: "há homens que não vivem suas vidas de tanto olhar a vida do outros". Neste caso, devo admitir que ELES são tão competentes quanto nós neste quesito. Sexo dos anjos a parte, seu relato delineia com coerência e exatidão um discurso cotidiano muito bem desenvolvido. Um primor esse cronista! Bjs. Reina

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  2. Fato: homens não são mestres na arte da fofoca. Eles disfarçam essa maestria chamando de "comentários políticos". Hahaha! Grande Paiva, já passamos juntos por uma mesa de fofocas da nossa Reina e do nosso Assis. ;)

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  3. Vizinho,
    é pura ilusão pensar que vcs homens não fofocam!!!
    vcs homens apenas trocam o nome fofoca para assuntos corriqueiros do dia-a-dia quando conversam entrem si...

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  4. Salve rei!

    Gostei da leveza com q tratou os leva-e-traz da vida. Bem isso mesmo. O fato é q hoje todo mundo quer ter ibope. Vale dizer q "falem bem ou falem mal, mas falem de mim" as redes sociais estão aí para comprovar esse dito. Há um gosto secular em dizer, em julgar o outro mesmo qdo sentamos no nosso próprio rabinho, talvez aí esteja a graça. Fazemos isto, homens ou mulheres, pq é divertido. Certamente continuará sendo. Se até o Judas, discipulo do Cristo, gostava de uma fococa q dirá nós reles mortais q fazemos isto sem nem entrarmos p história.rs
    Parabéns!

    bj grande
    Prima ASS

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  5. Gente! Este negócio esta ficando muito bom!
    Ri "pelas dobras dos cotovelos" com o texto!
    Olha, esta coisa de detalhe é mesmo uma arte de nós mulheres. Mas veja bem, a culpa é de nossa visão sistêmica, coisa do tempo das cavernas, época na qual tinhamos de cuidar bem do "entorno" das crianças pra ver se não havia perigos...ai acostumamos a cuidar do entorno de todas as coisas da vida! kkkkk.
    Mas justição seja feita, homem quando resolve ser fofoqueira bate um bolão. Dá de dez a zero em nós mulheres!
    E, só pra constar: se é pra ter vicio prefiro o da boa cerveja! Fofocar faz mal pra pele.

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  6. Estou um pouco atrasada, faz horas que queria comentar e não arrumava tempo. Mas dizem as más línguas que atraso também é uma característica feminina, assim como dirigir mal, assim como fofocar. Não gostos de fofocas nem muito menos de idéias preconcebidas, principalmente aquelas relacionadas com o gênero - mulher isso, homem aquilo. Sendo assim, muito pertinente a colocação “Antes que as mais exaltadas se exaltem, explico que não falo no geral. Há mulheres que, assim como eu, não gostam de fabricar fofocas e há homens que não vivem suas vidas de tanto olhar a vida do outros”. Isso encerra a discussão sobre estereótipos femininos e masculinos, mas sobre a fofoca tenho algo a comentar.
    Eu acredito na maldade humana, quero dizer, o ser humano é ruim. Não por natureza, mas por intenção. Sempre com ouvidos e línguas bem preparados. O primeiro funciona como municiador ou carregador de uma arma, armazenam infâmias alheias que são disparadas pela língua sem trégua e sem rumo, contudo quase sempre de forma implacável e precisa atingem o alvo certeiro. Nas frases cruéis proferidas sobram palavras, todavia falta-lhe a consciência crítica de si mesmo.

    Parabéns pelo texto e concordo com o anônimo: Gostei da leveza com q tratou os leva-e-traz da vida, mas na minha opinião da vida privada é um pouco mais delicado do que se deivertir.

    Sucesso sempre.

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  7. Ahhh....Deus nos proteja de nós e da MALDADE da fofoca alheia.

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