04/05/2011

Quanto dura o amor?

O aceno - Guilherme de Faria

O amor, assim como a maioria das coisas, dura pouco nas sociedades urbanas capitalistas modernas. Pode-se assim justificar.
O meu amor por um certo moço dura poucos segundos. O tempo de se dizer a frase: “Oi, tudo bem?” Ponto e pronto. Nessa frase-fração vou do rubor ao tremor, mas logo que ele vira as costas e se vai, leva meu amor junto com ele.
Claro que me pego querendo amá-lo durante outras horas do dia e até da noite, mas como amá-lo mais do que os segundos diários já destinados se nada acontece além disto?
O amor parte da apreciação do objeto amado, isto toma tempo. No caso, o tempo só me permite essa piscadela de sentimento. Porque o amor também parte de outra premissa: a lembrança. Desde que percebi isto procuro memorizar o modo como ele reproduz a trivial frase com seus detalhes de entonação e de gestual, essas são as lembranças que guardo do meu amor.
Outro dia ele disse a frase, mas como tinha as mãos livres acrescentou um tímido aceno, o que logo me incitou a curiosidade. O que queria dizer aquela frase, naquela boca com aquele gesto? Como o corpo fala, assim dizem os psicólogos e o livro que tem o mesmo título, achei que o moço, com o acréscimo do aceno, quisesse me chamar a atenção e quem sabe, talvez, quisesse também me amar mesmo por um instante, porque o amor pode ser uma ideia que nos convence sem palavras, não é?
Não. Por favor, não pense que sou covarde, triste, solitária, romântica e idealizadora. Ás vezes, é melhor que o amor seja assim, simples e breve como um acenar de mãos.

Professora

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3 comentários:

  1. 'que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure'... E ainda que o "o tempo só me permite essa piscadela de sentimento", sentir o arrepio representa viver.
    Perfeito este final: "é melhor que o amor seja assim, simples e breve como um acenar de mãos", literatura pura! Acredito que a palavra associada ao gesto eterniza o momento... Amei seu texto.
    Bjs minha querida! Regiane.

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  2. Na vida é preciso coragem, inclusive de amar sem ser correspondido. Amar de um amor carnal sem ter em troca qualquer resposta. Amar alguém que talvez só mereça um "oi, tudo bem?". Porque amar alguém, em qualquer situação, é saber amar... é amar-se.

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  3. Na balança da existência
    quanto desce e quanto sobe?
    O momento , a memória,
    o ato sincero
    ou sua história?

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