08/06/2011

Celular: Aparelho telefônico ou localizador???



Secretária

Resistente que fui ao celular até o fim do ano passado, ainda me pego travando algumas batalhas com este aparelhinho...

Confesso que já estava me sentindo um dinossauro, o último deles, quando me curvei a evidência de que deveria ter um, mas, mesmo assim, não conseguia entender para que precisava ser achada quando estivesse indo, ou vindo....
Se estou em casa estou em casa, lá tem telefone; se estou no trabalho estou no trabalho, e se realmente for importante é só ligar nestes lugares...
esta era minha filosofia.

Até que eu, como muitos dos dinossauros, fui vencida pela necessidade dele no ambiente profissional.
Praticamente me obrigaram a ter um, a título de empréstimo da empresa, depois me tomaram o tal, obviamente quando eu já havia me viciado e me vi como uma dependente química pelos cantos a procura de comprar o meu.

Antes disto o eterno combate filosófico:
pra que diabos preciso se encontrada no trajeto????Filosofava eu.

Você já respondeu a pergunta impertinente: “onde você está?”
“Estou indo, estou indo...”
Mas o povo quer saber a estação, o ponto de ônibus, o kilômetro da rodovia e tudo o mais que puder...Não se contentam mais em ver que você chegou na hora ou com atraso de 10 minutos....eles querem: saber onde você está?
Grunffffffff.

Eu costumo ser britânica, dificilmente me atraso, mas mesmo assim ainda recebo este tipo de ligação...
Juro que a vontade é gritar:
- "Estou a caminho e estou no horário...onde estou não é da sua conta!!!!!!!!!!"

E quantas vezes você já viu, o sujeito ao seu lado, na estação Jabaquara responder: “Estou na Sé, daqui a pouco estou ai.” (A Sé é a estação central de São Paulo Capital e Jabaquara não é exatamente perto.)
E outra indo pra Barra Funda dizer: “estou chegando em Artur Alvim...mas vou atrasar um pouco...vi que ta um congestionamento...” Já perdi a conta de quantas e de quais diversas modalidades destas conversas já ouvi. As mais bizarras e hilárias.

Agora pensa:
você sai do trabalho as 18 horas.
18h30 alguém te liga, você mal consegue se mexer e ainda tem que detectar se o celular tocando é o seu ou não... diagnóstico feito, você atende e o sujeito do outro lado dispara: “onde você está?”
- “Raios, estou entalada, tentando segurar a porcaria do aparelho, e tentando parecer educada enquanto respondo, pois tem dezenas de pares de ouvidos atentos a nossa conversa!!”...é isto que penso, mas respondo apenas:
- "estou no Tatuapé." Muito provavelmente ainda estou no Brás.

E os sons?
Meu Deus, são tantos e tão variados, mas ainda não adequei o meu aos meus ouvidos.
Quem já tentou me ligar no celular sabe minha incapacidade de ouvi-lo quando estou na rua.
Sempre tenho a sensação de que tem uma musiquinha me acompanhando, mas nunca lembro que é o bendito aparelho móvel.
E lá se vão dezenas de chamadas não atendidas.
Chega a ser ridículo, mas só vejo que meu aparelho está chamando quando estou com ele na mesa do trabalho, ou no estante da sala de casa, a principio, lugares onde não precisam me ligar no celular...

...sem contar as infinitas vezes que o perco.
Mas, como o uso de relógio, logo sinto falta e lá vou eu ligar e esperar pra ouvir o tal toque por perto...
Uma vez depois de muita procura, e muito aguçar de ouvidos, consegui localizá-lo dentro do cesto de roupa sujas, bem lá no fundo, pobrezinho...

Mas, a vida dá voltas e modernidades que nos viciam, percebo-me completamente enredada pelo tal aparelhinho...
Dia destes, faltavam cinco minutos para o horário que combinei de minha filha chegar.... lá vou eu:
Disco o número e ao primeiro sinal de Alô, disparo:
“Onde você está????”
E não é que esta tranqueira é mesmo útil??? Penso eu, mãe dinossaura, feliz com os avanços da modernidade.


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Celular: Aparelho telefônico ou localizador??? de Eliana Klas é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Based on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.com. Permissions beyond the scope of this license may be available at www.eutodososdias.blogspot.com.

4 comentários:

  1. tentar ir contra as mudanças tecnológicas é uma grande contradição. Não viveríamos sem elas: a tv, a geladeira, o óculos, a camiseta, a sandália... O celular é apenas mais uma das coisas que tivemos a inteligência de criar e que nos tornamos dependentes, não por ele, mas por nós mesmos.

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  2. Aprendi a deixar o meu em modo "vibra mas não toca" e descobri que sou muito mais feliz assim! Hahaha!

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  3. Klas,

    Vivenciei cada palavra do teu texto. Extremamente pertinente tuas observações. E como diz Walter Ong a propria escrita é um advento da tecnologia. Como nós poderiamos ser contra aos avanços, já q depois de "naturalizados" fazem parte do nosso repertório de recursos para sobrevivencia!
    P.S.: Eu sempre esqueço de dar comida p meu bichinho, vira e mexe o pobre fica piando pelos cantos. E, claro, eu recebo um pito dos de estão po perto, pois o barulho da falta de bateria é algo agonizante...rs
    Abraço grande, linda!
    lete
    Prima ASS

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  4. Compartilhamos a mesma angústia, você já sabe. Marido é quem sofre, pq nunca escuto as primeiras chamadas... já viu! Mas o fato é que, como diz Paiva, este aparelhinho já faz parte do nosso acessório diário. Esqueça-o em casa para ver o atraso que será seu dia...
    Bjs querida!
    Regiane.

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