06/06/2011

Um dia, uma bolsa, uma aliança


Massiano


Cronistas

Não sei por que a mulher tem tanta fascinação por bolsas. Elas gostam tanto desse artefato que agora as fábricas de móveis estão colocando no mercado, armários específicos para guardar bolsas femininas, porque os guarda-roupas nunca têm espaço suficiente.
A Microsoft também decidiu investir no ramo. Preocupada em concorrer com o Google, a empresa de Bill Gates disponibilizará no seu próximo software, pastas de arquivamento de documentos em formatos diversos, desde as pastas amarelinhas comuns, até as executivas para homens e pelo menos 100 mil modelos de pastas femininas. A multinacional explica, para acalmar a mulherada, que esse será apenas um teste e que no suporte seguinte, estarão disponíveis pelo menos um milhão de opções.
As mulheres gostam tanto de bolsa que usam uma para cada objeto. Existe uma bolsa mãe, aquela que mais parece um alforje, e dentro dela uma subseqüente e nesta outras bolsas menores disponíveis para o absorvente, a roupa íntima extra que ela nunca vai usar, para o dinheiro, para as moedas, para a chave do carro, para a chave da casa, para a chave da bolsa do dinheiro e para as chaves das bolsinhas subseqüentes do dinheiro, sejam as moedas ou as notas separadas por valor.
É muito importante saber que quando se vai ligar para o celular de uma mulher é preciso discar ao menos três vezes, para dar tempo de ela ouvir o chamado do aparelho, abrir a bolsa mãe, a bolsa subseqüente, a dos aparelhos eletrônicos, a bolsa dos celulares e a bolsa onde está o celular que está tocando.
Com tudo isso, a dica que dou é que nunca tente esconder um presente para a mulher amada dentro de sua própria bolsa. Você pode repetir o erro do meu amigo Leonardo, lá de Santo Antônio da Boa Esperança. Ele estava apaixonado por Dora, sua namorada há dois anos e esperava a hora certa de pedi-la em casamento. Ela de ser pedida. Na cautela do romantismo, decidiu deixar a aliança, comprada ao custo de seis meses de economia, na bolsa que ela mais gostava - uma que ela comprou com o dinheiro que faria sua primeira viagem internacional: uma semana inteira em Cancun. Colocou a jóia no bolsinho interno que tinha o maior zíper e ficou esperando. Esperou que cansou. Casou-se um ano e meio depois com uma pessoa que conheceu pela internet dois meses antes.
Dora, revoltada com o abandono, resolveu pegar dinheiro emprestado ao banco, a 30% de juros, para fazer aquela tão sonhada viagem ao México. Foi quando descobriu, ao usar pela segunda vez a bolsa que havia comprado há quase dois anos, a aliança caríssima enrolada em um bilhete apaixonado, convidando-a para um jantar romântico no hotel mais caro da cidade, onde costumam fazer festas especiais, regadas a champanha e caviar, para noivados.
Dora depreciou-se tanto com a decepção que nunca mais comprou uma bolsa em sua vida. O problema é que, por conta disso, perdeu todas as suas amigas.

Licença Creative Commons
Um dia, uma bolsa, uma aliança de José de Paiva Rebouças é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Based on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.com. Permissions beyond the scope of this license may be available at www.blogdojottapaiva.blogspot.com.

6 comentários:

  1. Kakakakakakakkakakakka. Os homens!!!!!!!!!!!!! Nunca vão entender nós mulheres.... Mas esse foi demais, deixar um presente tão valioso dentro de uma bolsa feminina. Sei não.

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  2. nunca sofrerei desse problema. Só tenho um bolsa e a uso até ramper as alças ou rasgar...sabe qdo elas começam a dar fim nas coisas q boto dentro dela.Tipo buraco negro....rs...É nessa hora q sei q devo me desfazer, mas não perdi o costume herdado, sempre q compro uma nova, passo a antiga p outra pessoa. Minha tia se encarrega disso, de achar um novo dono.
    Agora q eu nunca encontro nada na minha bolsa,isto é fato. E quem está comigo deve ter a sensibilidade de reconhecer a minha impossibilidade de encontrar as coisas dentro da bolsa. Quisera eu, um dia, ter uma bolsa p cada coisa... e melhor, dentro de minha propria bolsa. Adimiravel...
    Texto delicioso. Devorei-o...
    um grande bj

    lete
    prima ASS

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  3. Sim, Sr. José de Paiva Rebouças, meu amigo Jota, tu consegue ‘bulir’ lá no fundo hem rapaz? Da bolsa e da alma feminina.

    Não se explica, mas é assim que funciona mesmo.
    Até eu que sou meio “menininho” tenho mais bolsas do que imagino precisar!!!

    E quanto a vocês homens, conseguem se portar como umas bestas completas, às vezes!
    Onde já se viu, pedir uma mulher em casamento sem lhe conhecer os costumes “bolsais”????(leia-se costumes com bolsas).

    Enfim, texto maravilhoso, divertidíssimo e que vou aproveitar para levar para o Tarcis ver.

    Somos namoridos a muito tempo, mas ele anda com mania de casamento. Vai que resolve me pedir em casamento deste jeito ai...??
    Deus me livre, eu só ia achar a aliança daqui uns três anos! Kkkkkkkk.

    Parabéns pela construção inteligente, perspicaz e divertida.
    Beijos sudestinos de sua fã literária.
    ASS Klas.”

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  4. O Paiva, mais uma vez, conseguiu mesmo captar o maravilhoso universo feminino. (Não sei em quem ele se inspira tanto, kkkkkkkk!)

    Bom, diferente da minha prima, eu adoooooro bolsas. Diminuí mais com as compras de tanto que meu marido pega no meu pé, rsrsrs. Eu, se pudesse, teria uma para cada ocasião e que combinasse com meus calçados, claro! kkkk.

    Texto vivo! Isso mesmo! Cada palavra pulsa por si própria emanando toda a essência que rege a áurea de uma mulher muito vaidosa. Mas o fato é que entramos em desespero quando temos que pegar algo dentro dela e somos levadas a despejar tudo sobre a mesa ou num balcão qualquer para encontrar qualquer coisa que seja... e quando o celular toca? kkk, uma era para achá-lo! Felizmente, minha irmã-filha me deu de presente uma super bolsa, com três divisões internas, mais três menores e uma externa onde coloco os celulares, assim não corro o risco dele cantar por horas até que o encontre... ai Jesus!

    Texto magnífico, como sempre!
    Reina

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  5. Quem tem uma reina em casa tem um bom laboratório de como lidar com a alma feminina. Se bem que meu comentário é mais pra elogiar a Reina, como um grande exemplo a ser seguido. E também não tiro o crédito do meu amigo Urubu em ser, nas palavras da Reina, "Um homem que achei que só existia na imaginação". Com um amor desses, é fácil destrinchar esse universo confuso que é a mulher. Excelentes palavras! Pra complementar os pensamentos, o link abaixo oferece um estudo sobre a mulher e sua relação com a bolsa - http://virou.gr/j6dzMf

    Abraços.

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  6. É inegável a sensibilidade que o nosso Jotta tem de captar a alma feminina com extrema fidelidade aos detalhes.

    Eu me incluo entre essas mulheres fascinadas por bolsas. Sou, como a Reina, se pudesse teria uma pra cada momento. O mesmo ocorre com calçados. Afe! Não posso ver que quero comprar! Inclusive isso ainda será tema de uma crônica que pretendo escrever futuramente.

    voltando ao ponto, muito gostoso seu texto, Jotta. Leve, divertido, perfeito, como sempre.

    Bjos aspirínicos.

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