06/07/2011

Livrai-me de todo Mal

Besouros - Oscar Furtado

Professora

O mal estar súbito me acometeu. Provocado por quê? Não sei bem. Nunca sei o motivo desses estados repentinos de azedume. Não acho graça em nada. Nada tem beleza.
A velha é a velha. A criança é a criança. E eu só sou eu mesma. Só. Seca. Insensível.
Não gosto de me sentir assim. Quero sempre me importar. Quero me sentir parte desse todo que me cerca. Caótico. Contraditório. Complexo.
Inferno! Inferno é esse estado que domina minhas ações. Então, me encasulo. Nada digo. Não sorrio. Pouco me movimento. Inerte. Paralisada dentro de mim.
Ai que ódio de ficar assim!
Sorte que o dia logo acaba. Porque hoje, nem a escrita me serve.
Olho para mim e para meu semelhante e penso que seria mais digno ser um tenébrio. Só o verme desperta o humano que nunca fui, mas deveria ter sido.
Porque me tornei um parasita e o pior pensante?
Passo a imaginar soluções escatológicas.
Meteoros rasgando os céus.
Explosões.
Fogo.
Demolições.
Tomada pelo fim, ardo.
Purificada, me torno pó.
Agora livre, saio voando pelos ares.

4 comentários:

  1. Valha-me Deus, livrai-me de todo mal também!
    Mas é certo, seu texto é um grito universal. Rápido e intenso. Uma explosão de humor que é revelada em cada frase curta ou palavra, apenas.
    O tal do mal súbito, às vezes, nos cerca e nos tira do eixo. Azedume? Quem nunca teve TPM que atire a primeira pedra! Sou eu hoje!
    Valeu querida!!!!
    bjs.

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  2. Prima ASS,Se existe algo que gosto em seus textos é a riqueza do seu vocabulário.Eu que sou 50% certezas, luz, força e alegria e 50% de “amargor” adora este lado dos seus textos.Seus dias áridos e sua ‘cisma’ com os vermes me lembram Augusto dos Anjos, e eu sempre me identifiquei com os textos dele.O fato é que quem escreve descobre que este “breu” também é luz.
    Beijos de sua irmã aspirina sudestina Klas

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  3. Uma enorme facilidade de personificação. Um suspiro kafkiano, mas com lirismo.

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  4. Ai Lete, tem dias que nos sentimos assim mesmo. Sorte que ao final nos purificamos o nos libertamos não é mesmo?
    Bj carinhoso,

    Celina

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