08/07/2011

Meu Pequeno Príncipe

Le Petit Prince - Antoine de Saint-Exupéry


Professora

Fomos apresentados por um casal de amigos em comum. Contudo de comum nossa apresentação não teve nada, uma vez que ocorreu via internet. Ah! É verdade! Nos dias de hoje, isso é muito mais convencional do que um aperto de mão. Eu é que sou anacrônica, admito! Foi, pois, desse jeito moderninho que nos conhecemos. Mas não há como ser diferente quando se conhece alguém assumidamente da Geração Y.
Iniciamos de modo tímido um papo num desses programas de chats, através do qual trocamos endereços de e-mail, Twitter, Facebook, além de meia dúzia de palavras.  A escassez de vocábulos, no entanto, não atrapalhou em nada o trabalho de Eros. Foi amor à primeira vista. Não sei explicar ao certo como isso aconteceu. Como diria o Chicó de Suassuna, só sei que foi assim! Logo que vi sua foto no canto esquerdo do programa de bate-papo, me apaixonei por aqueles olhos apertadinhos, escondidos por sob os óculos. Exagero? Você diz isso porque ainda não viu aquele sorriso tímido graciosamente esculpido naquela carinha de anjo nerd que ele tem.
Passamos a nos falar quase diariamente e, entre um papo e outro, descobri que era publicitário, capitalista e cinéfilo.  Assim como eu, tinha um blog, era professor e se aventurava agora no ofício de cronista. Tantas semelhanças só me deixaram ainda mais enamorada daquele yuppie. Mas, sem dúvida, foi pelo estômago que ele me fisgou pra valer! Eu sei. O natural seria que eu, mulher experiente e prendada, o conquistasse com meus quitutes. Contudo ele não era um homem comum. E fazendo uso do seu jeitinho especial de ser, aproveitava-se de minha inocência Gen X para me seduzir com seus manjares diários meticulosamente preparados e sedutoramente bem servidos. Eram de se comer com os olhos. E eu os comia. Afinal eu adoro comer!
Foram estrogonofe de frango, nhoque de camarão, pizza de marguerita, filé de salmão, talharim ao camarão, panqueca de carne. Isso sem falar nas sobremesas, como bolo de chocolate, frozen com topping de calda de morango, mousse de abacaxi e, a minha preferida, petit gateau. Resultado? Quebrei minha dieta, engordei alguns quilos e me apaixonei de vez pelo meu jovem chefe de cozinha.
Acanhada como sou, jamais tive coragem de lhe revelar os sentimentos que tão a sete chaves guardo na caixa escarlate de meu peito esquerdo. Enquanto isso, outras o fazem sem qualquer rubor. É mesmo de se esperar que um rapaz jovem, bonito e cheio de predicados como este seja muito cobiçado pelas mulheres. O que eu não contava era que duas atrevidas sudestinas sobrevoassem feito urubus milhares de quilômetros para assediar meu querido gourmet de cachos. Quando me dei conta, uma já o havia pedido em casamento, enquanto a outra, sem qualquer pudor em se fazer amante, se intitulava sua alma-gêmea. A mim nada mais restou, a não ser tomar algumas aspirinas para aliviar a dor e continuar, em silêncio, a viver esse platônico amor por este que tem nome de rei, mas que pra mim será sempre o meu Pequeno Príncipe. Afinal de contas, o essencial é invisível aos olhos.

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Meu Pequeno Príncipe de Rokatia Kleania é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 UnportedBased on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.comPermissions beyond the scope of this license may be available at www.blogdaprofessorinha.blogspot.com.

7 comentários:

  1. Muito real. É, certamente, uma crônica de qualidade literária invejável. Ultimamente tuas crônicas parecem transpirar mágoas... A cada instante é como se estivesses perdendo alguma coisa, assim como a água vai sumindo na poça sob um sol inclemente... Mas gostei. E como disse acima, realmente isso aconteceu, a gente sente sem ter sido necessário imitar São Tomé.(William Lopes Guerra).

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  2. Uepa!
    Foi ele quem me pediu em casamento , eu q não sou besta nem nada, aceitei...rs
    Mto divertida e surpreendente, mas acho q o amor platonico persegue a todos desse grupo, já q nos amamos e estamos sempre distantes, no nosso caso, né Klas? é pior ainda...aff, tão longe.
    Um grande abraço.
    lete
    prima Ass.

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  3. Gente, quero deixar bem claro uma coisa: o texto acima é ficção. Lembremos do que diz Pessoa: "o poeta é um fingidor". Amo o Davizinho, mas como pessoa, amigo, irmão que todos somos na família A&U. O texto "Meu Pequeno Príncipe" foi tão somente uma espécie de brincadeira literária com a Klas e a Lete e a minha pequena homenagem a este querido de todos que é o nosso pequeno príncipe Davi. Qualquer outra interpretação é pura fantasia do leitor. No mais, só lembrar: amo muito todos vocês, Aspirinas e Urubus.
    Abraço.

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  4. Gostei mais da parte final do texto...kkkk vocês tão adulando muito esse urubuzinho!!!

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  5. Que linnnnnnnnnnnnnnnnndo! foi o que disse de maneira doce quando terminei de ler seu texto. Bem escrito? Como sempre! Suas escolhas de léxico, sua pontuação e sua coerência,enchem o paladar de qualquer leitor! texto comestível! ADORO COMÊ-LO!
    Bjs querida!

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  6. “Texto lindo, belo platônico e impossível de não decifrar já nas primeiras páginas a quem te declaras!
    Digo-te aqui de longe que acalme teu coração,.
    Não posso responder por aquela que foi pedida em casamento, mas quanto a mim te asseguro:
    Meu pequeno príncipe está aqui no sudeste, bem pertinho de mim se chama Tarcis e é meu chef, meu amor, meu rei, meu companheiro, meu amigo, minha vida além desta vida e meu único amante.risos.

    Quanto a beleza de seu texto e inconteste bela declaração digo:
    Quem desconfiou que era minha alma gêmea literária foi ele, no meu texto: “Cansada”. Risos.
    E alma gêmea em nosso caso não é amante e sim IRMÃ.

    Este urubuzinho é mesmo dos bons, e tu ganhou de presente a felicidade de morar bem pertinho dele.
    Não é a toa que no meu quarto a foto do Mor e da Reina vem acompanhada de vocês dois, lindos nordestinos que de amigos se fizeram confidentes.
    O urubu da asas a Aspirina e a Aspirina tira a dor do urubu.
    Linda história, tirando a parte que me toca e que se você não vigiar me complica com meu sudestino, risos..
    Risos.
    Te amo professora, você é das grandes!”


    Eliana Klas

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