15/08/2011

Onde é Brasil?


Estampa BR - Beleza Lilika


Cronista

Não comungo dessa bobagem de que somos um continente. Somo um pequeno país que tem uma vasta extensão de terra que, como já disse – para o meu descontentamento – Lya Luft, se limita ao centro pelo próprio povo.
Como hoje estou desprovido do meu típico nacionalismo, gostaria de questionar algumas posições, físico-geográficas e comportamentais, deste país tão incomum, segundo os outros.
        Quem somos então? Europeus nunca fomos, estadunidenses, por mais que nos esforcemos e copiemos, nunca seremos, mas também não somos latino-americanos. O Brasil é o país mais estranho deste continente. É só mirar a diferença de reação dos povos dos países de língua castelhana do sul do mundo para perceber que, por pior que seja suas situações, quando o calo aperta, o pinto pia. É panelaço na certa!
Nós mesmos nos referimos a América do Sul como sendo um lugar distante.
        Pela desorganização nunca seremos europeus. É só comparar o metrô de Berlim com o de São Paulo ou o de Fortaleza (?). Pelo comportamento também nunca seremos. Obvio que somos menos preconceituosos, mas também mais invasivos. Aqui pouco se sabe a diferença entre o público e o privado. Para a maioria da população isso tem a ver com o que é e o que não é governo. Embora saibamos que o governo seja um tipo de público-privado.
        Estadunidenses nem se quiséssemos poderíamos ser. Basta assistir ao filme “Olhos Azuis” de José Joffily para entender que os americanos do norte não nos querem por perto porque eles são os novos nazi-fascistas do ocidente. Tem uns bestas que só escutam música de lá e sonham, um dia, visitarem o Central Park – desculpem, mas para mim não há maior estupidez para um brasileiro que tem as praias do Nordeste e a floresta tropical, sonhar com o Central Park –, mas esquecem de ver que nos filmes da “Terra da Liberdade” todo latino-americano é “preto, pobre ou prostituta” – como diz Otoniel Maia.
        O Brasil seria como um centro de fuga: para os que querem se esconder dos crimes cometidos em sua pátria; para os países que não têm mais como replantar suas terras; para os que procuram oportunidades opressoras ou mesmo a boa e tão bem servida prostituta.
        Por estar no meio das principais localizações do mundo, nem lá, nem cá, a conclusão que chego é que o Brasil acaba sendo uma espécie de triângulo das “bermudas” ou dos “shorts” ou do biquíni que de tão gasto tem no meio um rasgão incosturável. 

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Onde é Brasil? de José de Paiva Rebouças é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Based on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.com. Permissions beyond the scope of this license may be available at www.blogdojottapaiva.blogspot.com.

3 comentários:

  1. Ontem, durante a feira do livro, ouvimos falar que a crônica, enquanto gênero literário, precisa de leveza, humor, ironia, objetividade e ser multifacetada. Ao que vejo, a sua provocação textual de hoje contém, a exceção do humor, a dose necessária que o leva ser chamado de cronista.
    Sua reflexão é inquietante e ainda que tenha sido desprovido de nacionalismo, seu texto nos leva a buscar exatamente isso: um referencial de nação.
    Maravilhoso!

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  2. Por favor...que continue incosturável,
    pelo menos enquanto não seja visível(ou seria risível?)
    a diferença entre uma coisa e outra.

    Belo texto...
    Belo Blog, camarada...
    Estarei sempre por aqui!

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  3. Regiane, crônica é o que nos faz pensar...acho, em minha ignorância.

    Ela nos leva ao riso, ao pranto, a contestação da alma ou do corpo.
    Se o Sr. José de Paiva não é cronista, ninguém mais o é.

    Quanto ao texto, tenho a ousadia de dizer que, desculpe-me o escritor, mas aos meus olhos soou como o desesperado grito de um nacionalista, sim senhor!

    Não nos valorizamos, não “berramos”, não tomamos conta do que é nosso, talvez.
    Mas moramos em um país que sem dúvida alguma deveria ter um povo que o honrasse mais.

    O Brasil precisa que seu povo, se olhe no espelho, se ame, e busque nas ruas a honra que lhe foi tirada.
    Sou neta de europeus. De pai e mãe.
    Europeus pobres, muito pobres. Camponeses.
    Pelo que sei, nosso país é o melhor país, do mundo, para todos, menos para nós, que nascemos aqui.

    Precisamos abrir os olhos e tomar posse do que é desta gente mestiça, e maravilhosamente rica”

    Xeros sudestinos.
    Eliana Klas

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