24/05/2011

Pedaços


Professora

Na calada da noite... os gritos. Não há motivos concretos, simplesmente, se digladiam. Como feras, expõem suas garras e estraçalham a epiderme que lhes cobrem os ossos. Pelo chão, as poças de sangue afogam os membros espalhados pela casa. As partes chagadas vão se agrupando e seus pedaços se confundem em um só. No meio da batalha, ainda lhes restam forças para cravar as unhas no peito do adversário e, espantosamente, cortam, em dois, o corpo que antes era prazer. Com o resto de ar que lhes sobra, devoram o coração um do outro e cospem, com amargor, o que sobrou dele. Depois da luta, sofreiam a fúria. Já cansados, começam a juntar suas peles, em estilhaços, e se lambuzam, embebidos de dor, no encarnado derramado pelos cantos que abrigam a sua insanidade...

9 comentários:

  1. Rápido, curto e indolor. Um tiro seco na calada da noite. Sufocamento por asfixia. Pano enfiado na boca, mãos amarradas pra trás... seu texto é tudo isso.

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  2. Rê,

    Diferente de tudo já postado aqui, um tapa na cara da loucura que acerca "certos" casais...

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  3. Idem. Idem. Idem.
    Idem ao Davi.

    Escrever é ser capaz de desprender-se do leitor e mergulhar.
    O leitor fará o mesmo caminho.
    Talvez o leve para outro lugar.

    O fundamental é o mergulho do escritor .

    Bom mergulho para nós Reina. No escuro. Doloroso.

    Parabéns.

    Aspirina Klas.

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  4. Vejo aqui mais um fôlego da escritora que estamos para conhecer. Confesso que ela está sob pressão, mas como diz a música: na tortura, toda carne se trai, nesse caso, se revela e se encontra. A literatura é apenas mais um elemento orgânico de quem tem sensibilidade, quiçá de quem o é.

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  5. Todos os textos que tu escreves tÊm um quê de realidade, fuga, sonho, beleza, profundidade, riqueza, aspereza e doçura! Todos mostram o que é a vida de alguma forma, é impressionante como mostras isso, de um jeito bem sutil, mas o faz. Querida Regiane, li o texto, reli-o e quero parabenizar-te aqui pelo magnânimo estilo. Meus parabéns!!!

    Rozilene

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  6. To bege...aliás to sangrando..pousou um Augusto dos Anjos por aqui? Adoro esse q provocativo da linha tenue q separa a insanidade da loucura. Denso. Vibrante. Eloquente.
    Parabéns, prima!!!!
    um xero

    lete

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  7. correção: sanidade da loucura...rs
    bj

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  8. Oi profesora parabéns pelo texto,porém foi um tanto denso,estimulante e sangrento um estilo diferente.Abraços. Lúcia Marques

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  9. Bom experimentar essa face realista da nossa Rê. Apesar da aparentemente influência do Augusto dos Anjos, seu texto continua tendo uma pitada de doçura. Parabéns, querida. Bjos...

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