Cheiro, você
Seu sangue tinto é vinho, ferroso cheiro da lâmina Engoli cem sílabas do seu hálito sem mastigar o perfume de uma vogal Cheirei sua respiração enquanto dormia, deliro a cada resfolegar Oleosos olhos castanhos, cabelos de cachos inebriantes O vento que beija seus caracóis entorpece e engana meus sentidos Seus pelos mais novos ainda têm o cheiro da sua derme Você é a última virgem, a essência, eu, um assassino Vou mais longe e tento cheirar suas entranhas para descobrir a fórmula do amor. [ CONVIDADO ] Aníbal Mascarenhas-Filho