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Cheiro, você

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Seu sangue tinto é vinho, ferroso cheiro da lâmina Engoli cem sílabas do seu hálito sem mastigar o perfume de uma vogal Cheirei sua respiração enquanto dormia, deliro a cada resfolegar Oleosos olhos castanhos, cabelos de cachos inebriantes O vento que beija seus caracóis entorpece e engana meus sentidos Seus pelos mais novos ainda têm o cheiro da sua derme Você é a última virgem, a essência, eu, um assassino Vou mais longe e tento cheirar suas entranhas para descobrir a fórmula do amor. [ CONVIDADO ] Aníbal Mascarenhas-Filho

O nariz de Luís e a barba do cabra

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Cabeça de pedra de homem com barba do Palácio Al-Hir Al-Gharbi Recentemente, em um curso de capacitação, me vi diante de um debate um tanto polêmico, pelo menos para mim. Um daqueles assuntos sobre os quais não se chega a um denominador comum, como futebol, política ou religião. De repente, durante uma aula do curso de relações interpessoais ofertado pela instituição onde trabalho, o professor abordou o aspecto “aparência” como fundamentalmente importante para uma boa relação e uma comunicação eficiente no ambiente de trabalho. Impecável nos trajes e no penteado, ele foi categórico no conceito e deu exemplos de como a “má aparência” pode influenciar negativamente nos objetivos profissionais. Eu, que estava razoavelmente barbeado, cabelo mais ou menos e a roupa até que não estava das mais amassadas, acompanhei, a contragosto, os meus colegas que nem ensaiaram uma discussão, quiçá uma contradição em defesa dos menos preocupados com a aparência. Pensei que tinha fugido de uma exposi...