Carência
Sofrônia - Lutero Proscholdt Davi Moura Publicitário Quando ele entrou na sala eu já estava sentado à mesa há muito tempo. Quis reclamar o atraso, mas, como eu ainda me mantinha são, era melhor ficar calado. Alto, barbudo e com um nariz torto, oriundo de uma das brigas de rua de seu tempo de mercenário, depositou sua mala surrada em cima da mesa e começou a contar o dinheiro. Diverti-me com um pensamento de um episódio de Pica-Pau, no qual ele dividia a comida com outro personagem, de modo que ele ficava com tudo no final. Ele jogou uma nota de vinte amassada que tirou do bolo desigual da sua mão. Logo depois mais outras duas notas de vinte. Uma nota de cem. “Ai está pelo serviço!” no final de tudo. Recolhi meu dinheiro sobre a toalha que um dia foi vermelho-sangue e saí pela porta dos fundos do bar, tudo conforme manda o figurino. Eu era feliz. Eu era estupidamente feliz. E não admito que alguém me diga hoje, clichês do tipo “você tem que superar o passado”. Sinceramente, é me...