Minha amada bruxa
Théodore Géricault
Eliana Klas Secretária Os cronistas desta semana, aqui no A&U, cutucaram minha velha veia politizada, mas eu, mais uma vez, a ignorei. Não por desmerecê-la. Exatamente por reconhecer-lhe a força, mas principalmente, por ter consciência de que palavras sem ação são palavras mortas. Para não ceder à tentação e falar de política, revi o caminho de meus amigos cronistas e percebi que já era hora de contar sobre a figura medonha de minha rua, em minha infância. As minhas amigas aspirinas, contaram aqui, histórias de seus loucos e de seus medos de infância. Eu também preciso contar a minha. É difícil eu conseguir, ordenar os fatos, os medos e os cheiros, trago poucas lembranças dela. Ou, talvez, o velho medo disfarçado, me impeça de contar os detalhes. De tanto que o medo dela me consumiu, decidi afogá-la, e torço até hoje para que ninguém encontre seu corpo. Vou tentar ordenar os pensamentos com as lembranças que trago dela. Lembro dela brava gritando, mui...