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Zé Bedeu

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Mendigo Lapita , pintura de Henrique Pousão Regiane S. Cabral de Paiva Professora __ Corre, corre, lá vem o Zé Bedeu! Pronto, instalava-se aquela correria. Feito espalha-brasa, meus colegas e eu entrávamos na bodega do Cezinha para nos escondermos. Lá, disputávamos cada centímetro do balcão até termos certeza de que Zé Bedeu havia sumido completamente. Nunca soubemos onde ele morava, nem por que levava aquele nome. Simplesmente, ele surgia quando menos esperávamos. Coincidentemente, sempre que estávamos brincando de pega-pega na calçada... __ Cooooooooooorre, se não o Zé Bedeu pega! Só de ouvir o nome daquele homem, eu me assustava. Lembro-me que tremia feito vara verde cada vez que o via passar na rua. Às vezes, ficava escondida na sala da minha casa espiando através das venezianas. Zé Bedeu andava manco. Um de seus sapatos tinha mais altura no salto que o outro. Os olhos eram miudinhos e sombrios. O cabelo era fino e espetado. O rosto era meio deformado. Mas, o que me intrigava m...

Os doidos também amam

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Mendigo - AC Arlete Mendes Professora Dia desses fui comprar pão na padaria, vejam, isto não é uma redundância, pois atualmente dá para arranjar pão em qualquer lugar. A padaria, principalmente aqui em São Paulo, passou a ser mais um espaço de socialização informal, instantânea, impessoal, do que o lugar onde se compra o pão mesmo. Se você for bem simpático com os atendentes pode até receber um bom dia sincero. Ah, sim, estava eu alegre e cantante, porque não é sempre que consigo ir até uma padaria, normalmente se come o que se tem no armário para não perder tempo. Mas neste dia eu cantarolava de alegria. De súbito, engoli o canto. Calei-me. Fixei o olhar no último degrau e lá estava ele. Parado. Sério. Sujo. Tinha o mesmo olhar denso, pregado no horizonte, ao seu lado repousava um saco, com certeza cheio de cacarecos, coisas velhas, catadas do lixo, mas que se pode reaproveitar, tirar uma graninha no ferro velho... Valha-me Deus! Porque há algumas figuras do passado que teimam...