Postagens

Mostrando postagens com o rótulo aceno

Quanto dura o amor?

Imagem
O aceno - Guilherme de Faria O amor, assim como a maioria das coisas, dura pouco nas sociedades urbanas capitalistas modernas. Pode-se assim justificar. O meu amor por um certo moço dura poucos segundos. O tempo de se dizer a frase: “Oi, tudo bem?” Ponto e pronto. Nessa frase-fração vou do rubor ao tremor, mas logo que ele vira as costas e se vai, leva meu amor junto com ele. Claro que me pego querendo amá-lo durante outras horas do dia e até da noite, mas como amá-lo mais do que os segundos diários já destinados se nada acontece além disto? O amor parte da apreciação do objeto amado, isto toma tempo. No caso, o tempo só me permite essa piscadela de sentimento. Porque o amor também parte de outra premissa: a lembrança. Desde que percebi isto procuro memorizar o modo como ele reproduz a trivial frase com seus detalhes de entonação e de gestual, essas são as lembranças que guardo do meu amor. Outro dia ele disse a frase, mas como tinha as mãos livres acrescentou um tímido aceno, ...