Esquecida
Eduardo Laner De olhar perdido refletido no espelho, delineia os grandes olhos verdes de negro no meio de muitos batons, o rosa choque é o escolhido. Veste os jeans justos e o top de alças com um decote generoso. Calça os saltos altos tirados da sapateira da mãe. Olha-se ao espelho uma vez mais, pega na mochila com um maço de tabaco a preenchê-la. Nos bolsos o isqueiro com flores brancas que tanto a encantou acompanha-a sempre. No hall da entrada ouve a mãe gritar da cozinha com o irmão de três anos, parece que deixou cair comida para o chão, mal sabe agarrar num garfo, “pobrezinho”, pensou ela. Sem olhar para trás, fechou a porta atrás de si, desce cada degrau com algum sacrifício, pensou ser mais fácil andar com os sapatos elegantes, fazia-lhe parecer mais alta. Sempre foi gozada pela sua altura, ou ausência dela. De cabeça erguida e coração ferido desce a rua em direção à escola, planeia em segundos o percurso mais fácil a pisar. Dentro dos portões, o porteiro abana a cabeça,...