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Metalinguagem biográfica

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Urubu - Quaderno Criação Davi Moura Publicitário É o processo de escrita da crônica que a torna tão mágica. Tenho que revelar: já achei isso de escrever uma bobagem. E mais raiva eu tinha quando me diziam, tão espertos que eram os adultos da minha época, em uma generalização de dar a gota em qualquer um: “Todos que lêem muito sabem escrever muito bem”. Logo, se você sabia ler muito e não escrevia bem (ou não escrevia, no meu caso) era doente e marginalizado. Por conseguinte, não merecia respeito nem apoio da sociedade. É. Criança pensa muita besteira. Cresci achando que me faltava algo. Afinal, eu não me encaixava no perfil dos escritores. Ficava tentando procurar minha espécie dos que “lêem, mas não escrevem”. E isso foi tarefa árdua. Comecei minha vida de menino “leiteiro” (o Ministério da Educação já nos permite falar errado ) aos 5 anos. Precoce. Super impulsionado por meu pai, que ficava pacientemente deitado em sua rede vermelha, com o guri pequenininho (na época. Hoje el...

Da amizade sincera de um urubu

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Quem me conhece sabe que sou uma pessoa insensível para animais domésticos. Não suporto gatos e cachorros, para ser mais exato, ainda mais agora, que esses bichos são tratados como gente. Às vezes até melhor.  Mas, como diz a doutora Wirgínia Hoffmann Teixeira, em seu livro Os hiatos do silêncio, toda reação tem uma explicação científica. Neste caso, tudo tem a ver com os traumas psicológicos do desenvolvimento da personalidade. Lendo o capítulo: “Neurose Infantil” me dei conta de que esse ódio ressentido não passa de frustração, recalque. Realmente eu nunca gostei de gatos, nem mesmo na infância, mas eles foram bloqueados de minhas preferências quando o primeiro comeu o meu papagaio. Foram semanas chorando, sem comer e sem ir para a escola. Nunca fiz nada contra o gato de minha avó para ele cometer tamanha barbaridade contra uma ave tão cálida e brilhante, mas ele o fez. Tentaram me consolar com outros mimos e, como naquela época a Polícia Ambiental não andava pelo sítio de ...