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Do tempo e do amor

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A persistência da Memória_1931_Salvador Dali José de Paiva Rebouças Cronista Eu olho para dona Caboquinha e pergunto qual será o meu futuro. Se terei a chance de também passar dos 80 com a mesma certeza de que a vida me deu a liberdade de ser feliz naquilo que fui e fiz. De ter tantas lembranças boas e, sobretudo, um grande amor, daqueles que faz chorar cada vez que se conta, mesmo se repetindo. De ter idade como uma ação natural do tempo, com mais vantagens do que medo. Por isso, penso e procuro, lá no começo da primeira estrada, o caminho que deixei de pegar e como faço para retomá-lo. Porque viver mais de oito décadas não é envelhecer, mas cumprir uma trajetória que nos foi permitida por Deus ou qualquer outra força da natureza. Envelhecemos quando pensamos muito e, talvez, “a vida mais doce é não pensar em nada”. Estamos sempre procurando algo que não nos pertenceu sem ao menos olhar aquilo que temos e, quando menos esperamos, já fomos ou estamos para ir. Confesso que a vida...