Livrai-me de todo Mal
Besouros - Oscar Furtado Arlete Mendes Professora O mal estar súbito me acometeu. Provocado por quê? Não sei bem. Nunca sei o motivo desses estados repentinos de azedume. Não acho graça em nada. Nada tem beleza. A velha é a velha. A criança é a criança. E eu só sou eu mesma. Só. Seca. Insensível. Não gosto de me sentir assim. Quero sempre me importar. Quero me sentir parte desse todo que me cerca. Caótico. Contraditório. Complexo. Inferno! Inferno é esse estado que domina minhas ações. Então, me encasulo. Nada digo. Não sorrio. Pouco me movimento. Inerte. Paralisada dentro de mim. Ai que ódio de ficar assim! Sorte que o dia logo acaba. Porque hoje, nem a escrita me serve. Olho para mim e para meu semelhante e penso que seria mais digno ser um tenébrio. Só o verme desperta o humano que nunca fui, mas deveria ter sido. Porque me tornei um parasita e o pior pensante? Passo a imaginar soluções escatológicas. Meteoros rasgando os céus. Explosões. Fogo. Demolições. Tomada pelo fim, ardo...