Por que escrevo?
Senhora escrevendo uma carta com uma criada. Vermeer, 1670 . Esses dias me perguntaram por que escrevo. A pergunta a princípio era idiota. Todos sabemos as incontáveis razões pelas quais escrevemos, afinal a escrita sempre foi uma habilidade vital para o ser humano. Mas antes de sair xingando o pobre coitado que me lançou essa inocente(?) pergunta, refleti um pouco e percebi quão inteligente era aquela indagação. Tão inteligente que eu mesma jamais havia me feito. Por que eu escrevo? O que me leva a dedicar horas de meus dias redigindo laudas e mais laudas de palavras muitas vezes desconexas e sem qualquer utilidade para a humanidade? Sem ter o que dizer, restringi-me a um breve “sei lá” regado a um tímido e amarelo sorriso. E saí de fininho com aquela pergunta martelando em minha cabeça, de modo que não resisti e mergulhei na questão, buscando as razões para, desde sempre, me sentir atraída pela prática da escrita. De uma coisa tenho certeza: não escrevo para ganhar a vida, uma vez ...