Zé Bedeu
Mendigo Lapita , pintura de Henrique Pousão Regiane S. Cabral de Paiva Professora __ Corre, corre, lá vem o Zé Bedeu! Pronto, instalava-se aquela correria. Feito espalha-brasa, meus colegas e eu entrávamos na bodega do Cezinha para nos escondermos. Lá, disputávamos cada centímetro do balcão até termos certeza de que Zé Bedeu havia sumido completamente. Nunca soubemos onde ele morava, nem por que levava aquele nome. Simplesmente, ele surgia quando menos esperávamos. Coincidentemente, sempre que estávamos brincando de pega-pega na calçada... __ Cooooooooooorre, se não o Zé Bedeu pega! Só de ouvir o nome daquele homem, eu me assustava. Lembro-me que tremia feito vara verde cada vez que o via passar na rua. Às vezes, ficava escondida na sala da minha casa espiando através das venezianas. Zé Bedeu andava manco. Um de seus sapatos tinha mais altura no salto que o outro. Os olhos eram miudinhos e sombrios. O cabelo era fino e espetado. O rosto era meio deformado. Mas, o que me intrigava m...