Lêndeas e cafunés
Cafuné e colinho - Jandi Uma das boas lembranças que tenho de minha infância tem a ver com a hora que chegava da escola e minha mãe, com suas unhas grandes e, quase sempre vermelhas, me fazia deitar a cabeça em seu colo e, com um pano branco, catava meus piolhos. Seu sangue é doce, menina. Nunca vi igual! Por mais que eu cuide, por mais que vá com os cabelos presos e limpos, você sempre chega em casa infestada deles. Uma praga! Inclino a cabeça só de me lembrar. Mas ela gostava que eu os pegasse e, dizendo honestamente, eu também. Revendo a cena do filme O Fabuloso destino de Amélie Poullain , de Jean Pierre-Jeunet, na qual o coração da protagonista, quando criança, sempre se acelerava de emoção quando seu pai, que era médico e com quem quase nunca tinha contatos físicos, checava seus batimentos cardíacos. A personagem, ávida por um lance, ainda que estetoscópico, de contato paterno, não podia se conter. Seu corpo se alterava. Minha mãe, nessa mesma época, nos pagava dez centavos ...