Ainda sobre crônicas e bicicletas
Tati Pedra
Arlete Mendes Professora Dia desses visitei minha amiga Cida. Cida é minha memória externa. Inevitavelmente quando nos conectamos tenho acesso a uma porção de dados que dava como perdidos. Cida é uma figura humana, muito humana, por isto: única. No vai-e-vem das conversas. Casamento. Filhos. Separação. Se outrora chegamos a dividir o mesmo namoradinho, agora dividimos o mesmo advogado. Enrolados, claro, são homens. Durante esta observação, dada minha fixação por bicicletas, lembrei-me de que na mesma época Cida quis me ensinar a andar de bicicleta. A boa vontade era tamanha. Pegou a bicicleta da vizinha, me aprumou em cima da magrela e falou para eu movimentar os pedais. Foi me segurando. Início de rua. Conversávamos sobre meninos. Era sempre o assunto da vez. Ela, esperta, me entretinha. Pedalando, mais equilíbrio. Não sei bem porque, mas os idiotas não nos escolhiam. Eram uns burros! A garota abundante detinha todos os olhares. Fim de rua. Ops, quase caí. Cida pr...