A resposta de Karina
O beijo - Gustav Klimt Regiane Santos C. de Paiva Professora Karina era um arroubo só! Ficou agoniada a espera das palavras escritas de Antônio naquela máquina apática e fria. Ele veio. Ela lambia as letras dele como se tivesse comendo doce de mamão com coco, bem devagariiiiiiiiiiiiiiiiiinho, com medo de acabar. Seu juízo dava um nó, como se tivesse acabado de acordar depois de um porre de cachaça, tentando entender as contradições que ele dizia. “Mas num se avexe não, Antônio, no todo compreendi, que desde que nossas vistas se bateu, aconteceu um rebuliço medonho dentro da gente, que não se explica com definição nem argumento, mas simplesmente vai chegando que nem respingo de chuva no fim da tarde e deixa a gente numa expectativa sem saber se será passageira ou se um temporal”, ela respondia. A ansiedade que ela sentia era arretada! Apertava-lhe o peito, não matava a sua fome, lhe tirava o sono e a concentração e a deixava com cara de besta e com uma dor na boca do estômago cada ...