Perdendo o encanto
Noiva - Thais Albuquerque
Eliana Klas Secretária
Nesta época do ano não era preciso dizer que se lembrava dela, além de todo o ano. E lembrar-se dela era necessariamente se sentir o último dos homens.
Ela adorava as festas de fim de ano. As lojas enfeitadas, o ‘burburinho’ no ar, os presentes, as festas. Pouco lhe importava se tudo era comércio, se o Natal tinha algum significado espiritual, ou não. A ela importava a beleza, o estético, o efêmero.
Ele se arrastava pelas ruas com a alma consumida. O cheiro dela estava no cheiro do panetone, no cheiro dos assados, das frutas cítricas. O som do riso dela era lembrado no barulho das castanhas sendo quebradas.
Esta época fazia-o lembrar do presente que lhe comprara, na noite que ela partiu. Naquela noite ele comprara, enfim, o anel que ela tanto pedia. Juntara dinheiro os últimos meses e, finalmente, na caixinha de veludo vermelho estava o pequeno tesouro. Ele iria pedir-lhe em casamento naquela noite. Noite de Natal.
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