Amélia vanguardista
Picasso, "Mulher diante do Espelho", 1932 A Higo Lima Outro dia, um amigo ficou terrivelmente pasmo ao saber que eu desempenhava funções domésticas. Afinal, eu sou independente e muito bem resolvida na profissão. Chamou-me de “Amélia Vanguardista”. Adorei! Não poderia haver um título mais apropriado para alguém que se entende tão bem com a vida, como eu. Imagino o que as mulheres estarão pensando agora... Afinal, o carma Amélia tem sido o fardo das saias desde que mundo é mundo, principalmente depois da belíssima composição de Ataulfo Alves . Pronto! Tornou-se o hino das calças. Qual homem não sonha com a bendita Amélia... A que cala, consente, que lava, passa, cozinha, arruma e etc., etc., e tal. Exceções? Possivelmente raras! No entanto, a palavra van-guar-dis-ta resignificou o trágico substantivo adjetivado que vem torturando tantas mulheres emancipadas. Nem sei por que associar Amélia a uma mulher resignada e tola. É bem provável que toda america...