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O terrível Malamém

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Oswaldo Guayasamín Dias atrás eu estava com alguns amigos falando das reminiscências, dos medos de criança, das figuras folclóricas que habitavam o nosso subconsciente. Falávamos das figuras do bicho-papão, do papa-figo e de outras personagens que eram utilizadas pelos nossos pais para nos pôr medo, no sentido de associar esses monstros fictícios à contradição ou desobediência em relação à ordem ou conselhos que nos davam. Falávamos principalmente da figura do papa-figo (corruptela de papa-fígado), que é uma das maiores lendas urbanas brasileiras. Cada cidade elegia o seu papa-figo. Segundo a lenda, o papa-figo era um sujeito estranho, rico, que sofria de uma doença rara e sem cura. Alguns sintomas dessa doença seriam o crescimento anormal de suas orelhas ou o corpo leproso e que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, precisavam se alimentar do fígado de uma criança. Em Natal, a cidade em que eu nasci e onde vivi a minha infância e adolescência, o papa-figo...

H.A.D.E.S.

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O Julgamento de Cambises  por Gerard David Davi Moura Publicitário Sou informado. Leio muito. Um homem culto e bem educado. Aparentemente ninguém sabia da minha doença. Convivi anos com os mais diferentes tipos de pessoas, mas nunca deram a mínima. Nos poucos momentos que ousávamos conversar sobre o maldito, o máximo que eu ouvia era um “Hunf, que bobagem” e uma brusca desviada no rumo da conversa. Sempre ouvi falar que existiam pessoas que nem eu. Mas, pra começar, tinha vergonha de assumir ou até mesmo mencionar o assunto. É difícil assumir pra si mesmo um mal que, à vista dos outros, parece inexistente. Mas existe. Dói. Machuca. Corrói. Sangra. Uma hora isso iria me machucar de verdade. Foi ai que encontrei o H.A.D.E.S. Saindo do clichê chuvoso do carro desgovernado na pista molhada, aconteceu de manhã mesmo. Depois da não-sei-mais-qual briga e uma ameaça de não voltar mais, decidi tomar um rumo: andar sem rumo nenhum. É assim que eu consigo me acalmar quando o maldito me...

Aula de amizade

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The Hug - Romero Britto Rokatia Kleania Professora Não existe coisa mais preciosa do que amigo. Eu sei que isso é clichê. Mas e daí? Uma verdade dessa magnitude precisa ser dita e repetida sempre. Não há como negar a importância que nossos amigos têm em nossas vidas. Cada um com suas peculiaridades e limitações acabam contribuindo para a nossa edificação. São sorrisos, abraços, palavras e atitudes que vão sendo acrescentados como tijolos na construção do que somos e do que ainda seremos. É bem verdade que muitos são fakes que a vida nos apresenta, mas também se encarrega de desmascarar, às vezes da forma mais cruel possível. Contudo não devemos por isso nos privar da delícia que é ter amigos.   Com o tempo, a gente acaba aprendendo a jogar fora o joio e saborear com toda fome o trigo da amizade. Dia vinte de julho é considerado o Dia do Amigo.   Dizem que a data foi obra de um hermano que, para celebrar à chegada do homem à lua, escrevera quatro mil cartas em vários i...

A bruxa e o Anjo

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Decapitação de St Dorothea - Hans Baldung Eliana Klas Secretária Ela penteou seus longos cabelos negros, já sentindo saudades daqueles fios que eram seu manto protetor. Para onde ia não podia levá-los. No espelho os olhos, redondos e negros, fitavam-na com receio. Seus olhos de anjo a protegiam e, no fundo deles, se viam a certeza da dor em vê-la partir. Ângelo também, tão lindo e perfeito, não poderia acompanhá-la. Loueiny ou Lourdes, como sua mãe preferia, estava com medo, mas precisava ir. Chegara o tempo de cumprir sua missão. Deveria se vestir de cinzas, rasgar suas vestes nobres, triturar suas unhas perfeitas. Cortar os lindos cabelos. Para onde ia a beleza era vista como falha de caráter, sobretudo a beleza feminina. Ou pior, algumas vezes a beleza corrompia o caráter e fazia da mulher mero objeto de luxo. Sua pele lustrosa despertaria pensamentos dos quais ela seria posteriormente culpada. Melhor cortar os cabelos e esconder os olhos atrás daquelas grossas lentes recém ...

Paixões e Ventanias

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Pintura Digital Dog (Trabalho Institucional)(Photoshop) - Nathan Caleb Arlete Mendes Professora Pegara amor àquela singela criatura. Não sabia se a amava por sua pequeneza ou por sua altiveza, porque o que tinha de nanica tinha de brava. Marandová. Era peladinha. Dentes pontiagudos. Latido esganiçado. Muito inquieta. Não podia ninguém encostar no portão que a danada já latia. Além disso, adorava se atracar nos calcanhares das visitas. Alguns até se intimidavam. Outros nem se importavam. Saiam arrastando pela barra da calça. Era invocada. Mas com o dono não. Podia, se quisesse, fazê-la de encosto de porta, bibelô de estante, esquenta pés, pelo dono aceitaria qualquer sorte, boa ou má, o que fosse. Não. Isto não faria nunca. Era muito bem tratada. A mulher enciumava. Também pudera. O marido regulava até o dinheiro da tintura. Pra que gastar dinheiro com tanta pintura nessa cabeça. Já a faceira ia pro banho e tosa de quinze em quinze. Voltava toda-toda. Vaidosa que só ela. Era a coi...

O mimo que ele não trouxe

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Romero Britto Regiane Santos C. de Paiva Professora Depois de ouvir a lamentação de uma amiga, fiquei pensando se os anos de convívio levam os homens a se esquecerem de certas delicadezas. Ao que parece, todos, na fase da conquista, se preocupam em cuidar dos detalhes e agradar a sua futura ‘presa’. Até os mais toscos conseguem dar um trato na sensibilidade. Flores, ligações constantes, presentinhos. Mas parece que o longo tempo dividindo o mesmo teto, esmaga qualquer possibilidade de gentileza. Melhor, anula qualquer indício de demonstração de afeto. Calma! Não generalizo para não ser injusta com os eternos apaixonados... Bom, o fato é que essa minha amiga já tem quase 10 anos de casada e espera, ardentemente, que o toque romântico não se perca. (Acho que ela e toda a torcida feminina!). Evidentemente não se espera que o camarada se declare em cem sonetos de amor feito Neruda a sua Matilde. Mas se o cara não sabe lidar com as palavras, pois que seja construtor de ações poéticas ...